É fato que sob o ponto de vista da necessidade prática, parece não haver dúvida da imprescindibilidade do JL para o aprendizado do estudante. Para isso, é fundamental a compreensão sobre o conceito do jornal laboratório, pois assim, entenderemos melhor sua importância, na prática, para estudantes e futuros jornalistas.
Veja as considerações de alguns pensadores e estudiosos da comunicação sobre o JL.
Dirceu Fernandes Lopes em seu livro Jornal Laboratório: do exercício escolar ao compromisso com o leitor, reforça a ideia citada acima ao dizer que o jornal laborátório dá condições ao estudante de treinar e executar todo o processo jornalístico. Segundo o autor, trata-se de um instrumento fundamental para o curso de jornalismo. “O jornal laboratório dá condições ao estudante de realizar treinamento na própria escola, possibilitando que coloque em execução, ainda que experimentalmente, os conhecimentos teóricos adquiridos nas disciplinas da área tecnico-profissionalizante. Integra os alunos na problemática da futura profissão, tornando possível que obtenham uma visão global do processo jornalístico, não apenas no aspecto conceitual, mas também na prática do dia-a-dia das redações”. completa Lopes.
A opinião de Lopes também é fundamentada por outros autores e estudiosos da comunicação.
* O Prof. Francisco Gaudêncio Torquato do Rego,

que afirma que só se entende um sentido prático para o curso de jornalismo à luz de uma realidade instrumental, responsável pelos laboratórios de aprendizagem.
* Luiz Betrão,

que diz que o jornal laborátorio permite o exercício da capacitação e análise crítica dos fatos. Para ele, o jornal laboratório é um instrumento didático básico. “Sempre que usado apropriadamente, com um planejamento racional, que se transforma no substituto da prática de treinamento nas redações. Permite que o aprendiz de jornalismo se exercite na capacitação e análise dos problemas de sua comunidade, de seu país e da civilização, fazendo-o descobrir qual dos aspectos e atividades da profissão o seduzem mais, completa Beltrão.
* Carlos Rizzini,

que fala das vantagens da publicação de um JL: “A publicação de um jornal transforma as aulas técnicas em profissionais; permite a aplicação dos conhecimentos hauridos nas demais aulas; classifica as tendências dos alunos oferecendo-lhes oportunidade para experimentá-las e conferi-las; cria e apura neles a responsabilidade, desenvolvendo-lhes a autocrítica e submete-a à censura dos companheiros, dos mestres e do público; familiariza-os com os problemas de organização e de administração, que enfeixam os de promoção, circulação e publicidade; desembaraça-os, pondo-os em contato com as rodas intelectuais, as classes dominantes e as personalidades do governo e da política, que são as fontes perenes de informação da imprensa, além de adestrar o aluno para empregar-se, conclui Rizzini.
Em 1982, de acordo com o boletim publicado pela agência Facos (Orgão Laboratorial da Faculdade de Comunicação de Santos), durante o VII Encontro de Jornalismo Regional sobre orgãos laboratoriais impressos, realizado na Faculdade de Comunicação de Santos e após dois dias de debates, definiu-se o conceito de jornal laboratório:
O jornal laboratório é uma veículo que deve ser feito a partir de conjunto de técnicas específicas para um público específico, com base em pesquisas sistemáticas em todos os âmbitos, o que inclui a experimentação constante de novas formas de linguagem, conteúdo e apresentação gráfica. Eventualmente, seu público pode ser interno, desde que não tenha caráter institucional.
Sabemos que sempre existiu uma consciência histórica sobre a necessidade dos laboratórios como espaços fundamentais para pesquisa, reprodução e prática jornalística, mas que, infelizmente, mesmo nos dias atuais, ainda temos muito a conquistar efetivamente.
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